LEGENDA: Planta-piloto da Meteoric em Poços de Caldas: 14 mil toneladas/ano de óxidos de terras raras.
Desde que o Tarifaço aplicado pelos EUA ao Brasil colocaram o interesse na exploração de terras raras do Brasil na mira do olhar ganancioso de presidente Donald Trump, movimentos em torno de investimentos na identificação e potencial exploração de minerais críticos, colocaram a indústria extrativista nacional, sobretudo, a de Minas Gerais, em um novo momento em que, diariamente, novas oportunidades surgem para criação e expansão de plantas e exploração de novas jazidas de metais não ferrosos, minério de ferro e terras raras.
Essa semana, por exemplo, a Itaminas, mineradora com planta em Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte, anunciou, por meio do seu CEO Thiago Toscano, que os investimentos em expansão devem somar entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões – Em 2025, a mineradora já havia investido cerca de R$ 300 milhões para ampliar as operações.
Para fazer frente aos investimentos traçados, a Itaminas, que tem como proprietários Argeu Géo, do Grupo Agéo, e Rodrigo Gontijo, do Grupo AVG, cada um com 50% de participação, está prestes a concluir uma captação de recursos.
Já em minerais críticos, a canadense Spark Energy Minerals, prevê investimento de R$ 150 milhões no Projeto Arapaima, voltado à pesquisa e futura produção de minerais considerados essenciais para a nova economia global, como lítio, terras raras e gálio, matérias-primas fundamentais para setores como mobilidade elétrica, armazenamento de energia, eletrônicos avançados e tecnologias de defesa. A expectativa é que sejam gerados cerca de 100 empregos diretos no Vale do Jequitinhonha.
Estado “fértil”
O Estado de Minas Gerais responde por 49% das reservas brasileiras mapeadas de lítio e pelo mesmo percentual das reservas de nióbio, 48% das reservas de terras raras e 72% das de grafite, de acordo com dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Sede-MG. São reservas com alto teor mineral, acima da média internacional, o que atrai o interesse do investidor para projetos no Estado.
Em Araxá, no oeste mineiro, a australiana St. George desenvolve um projeto conjunto de mineração de nióbio e terras raras em rochas monazíticas. O teor de terras raras nas rochas monazíticas é bastante superior ao verificado na argila iônica — alcança 10% do depósito mineral. Porém demanda processamento com ácido sulfúrico, enquanto o processamento.
Poços de Caldas, no sul de Minas, abriga uma caldeira vulcânica extinta há cerca de 120 milhões de anos, onde recentemente se descobriram as maiores jazidas de terras raras em argila iônica do mundo. “É a Carajás das terras raras”, diz Frederico Bedran, diretor-executivo da Associação de Minerais Críticos, AMC.
Em Jordânia, no nordeste de Minas, divisa com a Bahia, a Graphcoa, empresa controlada pelo fundo de investimentos britânico Appian Capital, desenvolve um projeto de mineração e processamento com capacidade produtiva de 53 mil toneladas por ano de concentrados de grafite. O volume irá quase dobrar a capacidade atual do país, estimada em 70 mil toneladas ano.
Agregando valor
O objetivo de Minas Gerais é se posicionar não apenas como fornecedor global de substâncias de terras raras, mas também como detentor da cadeia produtiva de imãs. Em maio do ano passado, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais Fiemg, inaugurou em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, o primeiro laboratório-fábrica de imãs e ligas de terras raras do hemisfério Sul, o LabFabITR, operado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Senai-MG.
Minas Gerais é o principal Estado minerador do país, com faturamento de R$ 119,2 bilhões em 2025 — 39,9% do total nacional. A projeção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) é que o Estado seja destino de investimentos estimados em US$ 19,67 bilhões até 2030, o que corresponde a 25,6% do total projetado para o país.



