Desinvestimento do conglomerado empresarial sinaliza momento difícil em que até a multa de 5 bi da contenda jurídica com a Ternium pela aquisição de ações de ex-controladores da Usiminas em 2011, faria diferença.
A CSN apresentou ao mercado sua atualização estratégica para 2026, detalhando um plano que combina venda de ativos, redução relevante do endividamento e foco em negócios considerados de maior retorno, como mineração e infraestrutura.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) apresentou ao mercado, em sua Reunião de Atualização Estratégica, um amplo plano de reorganização do portfólio e da estrutura de capital, com foco claro na desalavancagem financeira e na captura de valor em seus negócios de maior retorno. No centro dessa estratégia está a CSN Mineração, apontada pela administração como a principal avenida de crescimento do grupo nos próximos anos.
Segundo a companhia, o objetivo é destravar o potencial de valor dos ativos sob seu controle, especialmente em mineração e infraestrutura, abrindo caminho para um novo ciclo de crescimento sustentável. “A aprovação, pelo Conselho, dos movimentos estratégicos necessários para equacionar definitivamente a estrutura de capital do grupo marca um ponto de inflexão na história recente da CSN”, destacou Marco Rabello, CFO/ Diretor Financeiro e de Relações com Investidores.
Redução da Dívida
O plano prevê uma redução da dívida bruta entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões ao longo de 2026, por meio da venda de ativos considerados relevantes, mas não centrais no novo desenho estratégico. Entre as principais iniciativas estão a alienação do controle da CSN Cimentos e a venda de uma participação relevante na Newco CSN Infraestrutura (empresa que tem em seu portfólio ativos ferroviários, portuários e multimodais considerados estratégicos para o escoamento de commodities no Brasil).
Há tempos sofrendo com os efeitos do alto nível de alavancagem, essas medidas permitirão reduzi-la de forma estrutural a e gerar uma economia anual estimada entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,8 bilhão em despesas financeiras. No fim de 2024, a CSN revisou sua projeção de alavancagem, de 2,50 vezes para uma meta abaixo de 3,0 vezes em 2025. A companhia encerrou 2024 com relação dívida líquida/Ebitda de 3,49 vezes.
Contudo, o fato de a gestão da CSN ter repetido tantas vezes que diminuiria sua alavancagem sem tomar atitudes mais práticas faz o mercado reagir de forma cética ao anúncio. No dia do anúncio (15), nessa semana, o papel chegou a operar em alta de mais de 2,7%. Ainda durante a teleconferência com investidores, porém, o papel passou a cair e era negociado com queda de 3,6% no final da tarde.
Protagonismo da Mineração
Nesse novo portfólio, a CSN Mineração assume papel protagonista. Atualmente a empresa figura entre as sete maiores exportadoras de minério de ferro do mundo, com histórico recente de recordes operacionais, elevada geração de caixa e margens robustas. Suas reservas possuem longa vida útil estimadas em cerca de 2,5 bilhões de toneladas, e a continuidade de um plano de expansão baseado em projetos maduros, de alta rentabilidade e com foco em produtos de maior teor de ferro.
Contenda com a Ternium/Usiminas
A necessidade de apagar o incêndio das dívidas financeiras anuais, resultado do alto índice de alvacagem, pode explicar toda a articulação de Benjamin Steinbruch para reverter nos embargos declaratórios no Superior Tribunal de Justiça, SJ, a derrota no mérito em relação a contenda que se arrasta há anos junto a Ternium Investments, hoje controladora da Usiminas, que chegou a estratosférica multa de 5 bilhões de reais. Esse dinheiro, caso realmente pago faria uma diferença e tanto e permitiria um folego maior, procrastinando a venda de ativos.
Só pra entender, em dezembro de 2024, o STJ revisou a multa de 5 bilhões e determinou que a siderúrgica Ternium, uma das proprietárias da Usiminas, pagasse uma indenização de R$ 2,6 bilhões à CSN. A disputa teve origem em 2011, quando o grupo ítalo-argentino Ternium adquiriu participação significativa na Usiminas, comprando ações do Grupo Votorantim/Camargo Corrêa e da Caixa de Empregados da Usiminas.
Na decisão unânime, o STJ entendeu que a operação configurou uma efetiva alienação do controle da companhia, o que deveria ter resultado em uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), conforme previsto na Lei das Sociedades Anônimas. Por fim, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (7.714) foi movida pela Associação de Comércio Exterior do Brasil,AEB junto ao Supremo Tribunal Federal, apoiando a visão da Ternium, que é contrária à OPA. Após ouvir a opinião de diversos atores que orbitam a contenda, como a Casa Civil, Cade e CVM, o Ministro do Supremo, André Mendonça, ainda não se manifestou e uma decisão ainda é aguardada.



