Venda de Mineração de metais raros para empresa americana pode ser impedidda por partido político

O partido Rede Sustentabilidade tenta reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) o acordo para venda da Mineração Serra Verde e sua mina de terras raras Pela Ema, em Goiás, para a USA Rare Earth (USAR) por cerca de US$ 2,8 bilhões. A operação no município de Minaçu é a única produtora dos materiais magnéticos fora da Ásia. O acordo prevê exclusividade no fornecimento da produção por 15 anos.

O anúncio da venda da mineradora brasileira Serra Verde para a americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, no último dia 20, se transformou, também, no mais novo front da guerra tecnológica entre Washington e Pequim. Além disso, a notícia disparou alertas no setor mineral brasileiro e também movimentou Brasília, levando partidos políticos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender a operação.

O negócio sinaliza uma movimentação estratégica do governo dos Estados Unidos para quebrar a hegemonia chinesa sobre os minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas, como veículos elétricos e equipamentos militares.

Única produtora de elementos de terras raras em escala comercial fora da Ásia, Serra Verde, localizada em Minaçu (Goiás), extrai minerais de argila iônica, essenciais para a fabricação de ímãs de alta potência usados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, drones e equipamentos militares de ponta.

A venda contou com participação direta do governo americano. A USA Rare Earth fez um aporte de US$ 565 milhões da agência de fomento International Development Finance Corporation (DFC) à Serra Verde, dentro do chamado Project Vault — uma iniciativa de US$ 12 bilhões de Washington para formar estoques estratégicos para a segurança energética dos Estados Unidos.

O apetite americano pelo ativo brasileiro é justificado pelos números: o Brasil detém reservas potenciais de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, o segundo maior estoque do mundo.

A Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia a produzir em escala comercial os quatro elementos magnéticos essenciais. O depósito de argila iônica em Minaçu, onde os minerais são extraídos, é um dos maiores do mundo, e possui um diferencial devido aos impactos ambientais relativamente baixos.

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