Usisaúde e Unimed são “barrados desta festa”. Amil, Bradesco e Hapvida concentraram cerca de 45% do lucro total do setor.
Operadoras de planos de saúde registraram lucro operacional de R$ 9,3 bilhões entre janeiro e setembro, um aumento de quase 140% na comparação com o mesmo período do ano passado, e o maior em cinco anos. Já o lucro líquido, que também considera a remuneração das aplicações financeiras das operadoras num cenário de taxa de juros em alta, foi de R$ 17,9 bilhões, o maior desde o início da série histórica, em 2018, ultrapassando o então recorde, de R$ 15,9 bilhões, alcançado pelo setor em meio a pandemia, em 2020.
Os números foram divulgados no fim de dezembro pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS. Ainda segundo a ANS, três das maiores operadoras — Bradesco, SulAmérica e Hapvida — concentraram 43% do resultado operacional informado à ANS, evidenciando a influência do desempenho dessas grandes empresas no resultado geral do setor.
Reservas Técnicas
Num setor de altas reservas técnicas, influenciam no resultado líquido os ganhos financeiros das empresas. Nos primeiros nove meses de 2025, as operadoras registraram lucro de R$ 11,1 bilhões em seus investimentos. O montante é o maior desde 2018, e 60% superior ao registrado em igual período do ano passado.
Outro resultado positivo para os planos de saúde foi a sinistralidade, que encerrou o período em 80,8%, 2,3 pontos percentuais abaixo que o registrado em igual período de 2024. Essa métrica indica a fatia da receita das operadoras usada para custear a assistência aos usuários, ou seja, o uso do plano de saúde em si.
Recuperação
A recuperação do setor é inegável, mas não acontece da mesma forma para todo o segmento. Há cerca de 7,2 milhões de usuários de planos de saúde estão conveniados a empresas com problemas financeiros, sendo 49 operadoras listadas em programas de adequação econômico-financeira, 26 em direção fiscal e 41 em processo de cancelamento.
Operadoras locais
No fim do ano passado, o presidente da Fundação São Francisco Xavier, FSFX, Flaviano Feu Venturim, em encontro com a Imprensa, no Co-working do Hospital Márcio Cunha, no bairro das Águas, afirmou que o Usisaúde não enfrentava dificuldades, mas não refletia esse faturamento recorde do setor. A operadora tem atuação regional. Possui uma ampla rede credenciada e unidades próprias no Vale do Aço, Belo Horizonte e região metropolitana (Betim, Contagem, Nova Lima, etc.), Itaúna, Itabira, João Monlevade, Governador Valadares, Teófilo Otoni, entre outras. Em outros estados, possui presença por meio de planos corporativos para os empregados das Empresas Usiminas, abrangendo áreas em São Paulo (incluindo uma unidade Usifamília em Santos), Espírito Santo e Rio Grande do Sul.
Procurada por Negócios, Já!, em nota, a operadora informa que o Relatório Anual de Administração da Usisaúde encontra-se em fase final de consolidação. Assim que concluído e aprovado, pelos Conselhos Curador e Fiscal, o documento será devidamente disponibilizado no site oficial, garantindo transparência e acesso às informações. Ainda a nota reforça ainda que dados relacionados ao faturamento recorde do setor de planos de saúde, de forma geral, podem ser obtidos diretamente junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS, órgão regulador responsável pela divulgação dessas informações.
Já a Unimed Vale do Aço tem feito movimentos financeiros no sentido de tornar sua estrutura mais leve e injetar recursos para a manutenção de suas operações. Em junho do ano passado, a Unimed InvestCoop Nacional II – Responsabilidade Limitada, da Investcoop Asset Management, gestora de recursos do Sistema Unimed, adquiriu o Hospital Metropolitano da Unimed Vale do Aço, em Coronel Fabriciano. O imóvel, comprado por R$ 135 milhões, é o quinto administrado pela gestora, sendo o primeiro em Minas Gerais.
Dessa forma, a cooperativa mineira passou a ocupar o hospital na condição de locatária, com pagamentos a partir de julho deste ano. O contrato atípico de locação tem vigência de 20 anos e o valor do aluguel equivale a 10,5% sobre o valor da venda do imóvel, corrigido anualmente pelo IPCA”, sendo uma cara demonstração de necessidade de capital imediato para a manutenção de suas operações, razões pelas quais, como o Usisaúde, não foi convidada para essa festa do recorde de faturamento do setor, em 2025, como o Bradesco, SulAmérica e Hapvida.



