Bancários de Ipatinga e região rejeitam proposta da Fenaban e aprovam paralisação nesta quinta-feira (20)

Categoria considera inaceitável que bancos, mesmo acumulando resultados bilionários, proponham congelamento do piso de ingresso, reajustes diferenciados e tratamento desigual de VA e VR para trabalhadores do interior.

Os bancários de Ipatinga e Região decidiram, em assembleia realizada nessa segunda-feira (17), rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na Campanha Nacional dos Bancários 2026 e aprovar a participação na paralisação nacional marcada para esta quinta-feira (20).

A decisão da assembleia foi uma resposta direta à proposta apresentada pelos bancos, que prevê congelamento do piso salarial de ingresso e reajustes diferenciados de acordo com faixas salariais, rompendo com a lógica de valorização coletiva e uniforme conquistada historicamente pela categoria bancária.

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Ipatinga e Região, Selim Oliveira, a proposta é ainda mais injustificável diante da capacidade econômica do setor financeiro. “Enquanto os grandes bancos continuam apresentando resultados e lucros bilionários, a Fenaban coloca sobre a mesa medidas que, na prática, aprofundam diferenças entre os trabalhadores e reduzem perspectivas de valorização salarial”, explica.

A rejeição também se estende às tentativas de estabelecer valores diferenciados de vale-alimentação e vale-refeição entre trabalhadores das capitais e do interior. A medida foi duramente criticada pelo movimento sindical durante as negociações nacionais.

Selim enfatiza que o local onde o bancário trabalha não pode servir de justificativa para reduzir direitos. “Não existe bancário de primeira e de segunda categoria. Quem trabalha em Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano ou em qualquer município do interior exerce suas funções com as mesmas responsabilidades, enfrenta metas cada vez mais pesadas e contribui da mesma forma para os lucros dos bancos. Não aceitaremos que a Fenaban tente criar um VA ou um VR menor para quem trabalha fora das grandes capitais”, reforça.

Bancos lucram bilhões, mas querem dividir os trabalhadores

Para o Sindicato, há uma contradição evidente entre os resultados obtidos pelas instituições financeiras e o tratamento dispensado aos trabalhadores na mesa de negociação. Os bancários convivem com redução de quadros, fechamento de agências, sobrecarga, adoecimento, pressão por metas e expansão constante das atribuições. Ao mesmo tempo, o setor bancário permanece entre os segmentos mais rentáveis da economia brasileira.

Nesse cenário, a proposta de congelar o piso dos novos empregados e estabelecer reajustes distintos entre trabalhadores foi considerada incompatível com a realidade econômica dos bancos. “Os bancos não estão enfrentando uma crise que justifique congelar piso ou reduzir a valorização dos trabalhadores. Estamos falando de um setor que acumula lucros bilionários ano após ano. Não é aceitável que, na hora de distribuir parte da riqueza produzida pelos próprios bancários, apareça uma proposta que congela o salário de entrada, cria reajustes diferenciados e ainda tenta pagar benefícios menores para quem trabalha no interior”, expõe o sindicalista.

Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Ipatinga e Região a questão vai além do percentual de reajuste e envolve a própria estrutura da negociação coletiva nacional. “A Convenção Coletiva Nacional dos Bancários é uma conquista histórica justamente porque garante direitos para toda a categoria, independentemente do banco ou da cidade em que a pessoa trabalha. Aceitar diferenciação salarial ou de benefícios seria abrir uma porta perigosa para fragmentar essa conquista. A assembleia foi firme ao dizer não”, pontua. 

Paralisação

Diante da falta de uma proposta considerada adequada, os bancários também aprovaram a adesão à paralisação nacional do dia 20 de agosto. A mobilização reivindica que a Fenaban apresente uma proposta que contemple valorização salarial, manutenção e melhoria dos pisos, avanço nos valores de VA e VR, valorização da PLR e preservação dos direitos nacionais da categoria.

O movimento ocorre em sintonia com as assembleias realizadas em todo o país. Segundo divulgação da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal) sobre o resultado nacional, 97% dos mais de 50 mil participantes rejeitou a proposta da Fenaban e 90% aprovou a paralisação.

A paralisação desta quinta-feira será, segundo a entidade, um recado para que os bancos revejam sua posição e apresentem uma proposta compatível com seus resultados e com a importância dos trabalhadores para o funcionamento do sistema financeiro.

“A nossa mensagem à Fenaban é objetiva: queremos negociação e queremos acordo, mas não aceitaremos um acordo construído à custa da divisão dos trabalhadores. Quando os bancos divulgam seus balanços, os lucros são nacionais. Quando cobram metas, as metas são nacionais. Quando exigem produtividade, a cobrança também é nacional. Não podem querer que, na hora de valorizar o trabalhador, apareçam diferenças entre capital e interior. Se o lucro não tem CEP, os direitos dos bancários também não podem ter”, finaliza.

Deslogou, parou!

Além da mobilização nas agências, haverá paralisação também nos meios digitais. Com o uso crescente das tecnologias pelos bancos, as atividades serão suspensas tanto presencialmente quanto nos canais digitais, aumentando seu alcance e efetividade.

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