Empresa de saneamento básico que opera no município de Ipatinga sem um contrato formal de concessão há cerca de três ou quatro anos, conclui processo de privatização.
Com operação precária e sob um regime de indefinição contratual, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de Minas Gerais, Copasa, continua prestando os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no município de Ipatinga, meio a um processo de privatização que foi concluído, nesta semana. Para constar, os demais municípios do Vale do Aço – Timóteo (contrato até 2041), possui um relacionamento de altos e baixos entre a operadora e o município na atual gestão. Já, Coronel Fabriciano (com contrato até 2033) e Santana do Paraíso (contrato até 2033) que possuem contratos estáveis, apesar de a operadora estar longe de ser uma unanimidade entre os consumidores desses municípios.
Contudo, após atingir uma participação de 15,25% na Copasa antes da privatização, a Perfin uma renomada gestora de investimentos independente brasileira fundada em 2007, com mais de R$ 12 bilhões sob gestão. Ela (opera em três frentes: gestão de fundos de ações, private equity e gestão patrimonial) ampliou a fatia para cerca de 20% após a oferta e se tornou o segundo maior acionista da empresa mineira de saneamento. Fica atrás da Equatorial, que será o acionista de referência, com 30%.
O processo de privatização da Copasa foi concluído nesta terça-feira (16), durante uma cerimônia na bolsa de valores brasileira, a B3, em São Paulo. A solenidade marcou a entrega das ações aos compradores e o pagamento ao estado.
Ao todo, 171.113.881 papéis da estatal foram vendidos ao custo de R$ 49,03 cada, o que significa que R$ 8,38 bilhões serão depositados nos cofres de MG. O estado permanecerá com 5% das ações e com a posição de “golden share” que permite o veto em decisões estratégicas.
Polêmica
A Prefeitura de Ipatinga opera sem um contrato formal com a Copasa desde fevereiro de 2022, preparando-se para realizar uma nova licitação e romper com o Sistema Integrado de Abastecimento do Vale do Aço. Contudo, o processo enfrentou impasses e tensões políticas envolvendo o Estado. O Governo de Minas Gerais, desde o início do processo de desestatização, tem buscado o Ministério Público para tentar firmar um acordo com o Executivo municipal, que resiste em renovar nos moldes anteriores. Movimentos sociais e o Sindágua questionam a falta de transparência da Prefeitura em relação aos novos trâmites, alertando para possíveis riscos de exclusão na área rural e encarecimento das tarifas.
A privatização levanta discussões intensas. Enquanto o governo defende que a desestatização vai trazer R$ 21 bilhões em investimentos para universalizar os serviços no estado até 2042, entidades sindicais e movimentos sociais criticam a operação. As críticas se baseiam no temor de precarização, reajustes tarifários e exclusão de áreas rurais, citando também a gestão do grupo na Sabesp, em São Paulo.



