Mercados de processamento e distribuição de aço continuam pressionados
O setor de processamento de produtos siderúrgicos continua pressionado por fatores estruturais, como elevada carga tributária, infraestrutura deficiente e concorrência internacional em condições desiguais.
A Abimetal – Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e o Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço,por meio do seu presidente, Ricardo Martins, indica que a saída passa por uma estratégia clara de valorização da produção nacional. “Defendemos uma política industrial robusta, que reconheça a relevância da indústria brasileira, combata práticas desleais e assegure condições isonômicas de competição.”
O avanço das importações de produtos processados tornou-se o centro do debate industrial e a China segue como principal origem, ampliando consistentemente sua participação. Em 2025, respondeu por quase 490 mil toneladas importadas, alta de 19,4% sobre 2024. A fatia chinesa passou de 58% para 59,7% em volume e de 36,6% para 37,9% em valor, evidenciando que o avanço — próximo de 95% no período mais amplo — não é pontual, mas estrutural, com impactos diretos sobre preços, competitividade e sustentabilidade da indústria nacional.
Não é diferente na área de distribuição de aços planos, cujo presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, INDA, Carlos Jorge Loureiro afirmou que as importações impactaram de forma relevante na distribuição de aço em 2025, sobretudo pelo aumento da atuação de grandes players que internalizam volumes crescentes.
O movimento afetou diretamente a competitividade dos associados do INDA, que reúne empresas de todos os portes — responsáveis por mais de 80% da distribuição de aços planos no país —, incluindo centros de serviços voltados a armazenagem e processamento onde em um ambiente de forte concorrência, as margens permaneceram bastante reduzidas.
Segundo ele: “O crescimento de 2025 foi muito fraco e as vendas da rede avançaram somente 1,3%, com 3,89 milhões de toneladas comercializadas, ligeiramente acima de 2024, quando o crescimento foi de 1,1%, também um ano fraco. Não houve retração relevante, mas ficamos abaixo do consumo aparente”.
Recorde em 2025, importação de aço já custou 5 mil vagas e R$ 2,5 bilhões em investimentos ao país
Sob o impacto de importações recordes, a produção de aço no Brasil cairá 2,2% em 2025, em relação a 2024, fechando em 33,1 milhões de toneladas, prevê o Instituto Aço Brasil. Com alta de 20,5%, o ingresso de produtos laminados atingirá 5,7 milhões de toneladas, o maior volume em 15 anos. Práticas concorrenciais predatórias que estão ocorrendo no comércio mundial do aço já causaram o fechamento de 5 mil vagas e corte de R$ 2,5 bilhões em investimentos, no setor.
As vendas internas, segundo as projeções, recuarão 0,5% em 2025, para 21, 2 milhões de toneladas. O consumo aparente crescerá 2,4%, para 26,7 milhões de toneladas, devido, principalmente, às importações. Exportações crescerão 6,9%, fechando em 10,2 milhões de toneladas.



