Benjamin Steinbruch deixará cargo de CEO da CSN. Empresário será sucedido por Fabio Schvartsman, ex-executivo da Vale, após mais de duas décadas na função; CSN realiza uma ampla revisão estratégica e busca reduzir a alavancagem
Em uma das gestões mais longevas da história da indústria brasileira, Benjamin Steinbruch está deixando o cargo de CEO da siderúrgica CSN, após 24 anos. A partir de quinta-feira, 3 de setembro, a cadeira será ocupada por Fabio Schvartsman, que comandou a Vale. Com isso, Steinbruch retorna ao cargo de presidente do conselho de administração, que ocupou de 1995 a 2023.
Transição planejada ao longo de três anos
A escolha de Schvartsman como sucessor foi resultado de um processo de três anos, e Steinbruch confia em sua capacidade. Foi na gestão de Schvartsman como CEO que a Vale enfrentou a crise da tragédia da barragem de Brumadinho. A experiência em gestão de crise e reestruturação é vista como um ativo para o novo desafio.
Desta forma, Steinbruch, que lidera a empresa há mais de três décadas, volta a ocupar o posto de presidente do conselho de administração da CSN, que estava vago. Ele foi chairman da empresa entre 1995 e 2023. E desde 1993 integra o conselho. A transição marca um novo capítulo na governança da companhia.
Desafio imediato: reduzir endividamento bilionário
A chegada do novo CEO ocorre em um dos momentos mais desafiadores da companhia. A missão imediata de Schvartsman será a de avançar no plano de desalavancagem da CSN, que enfrenta hoje um endividamento de R$ 42 bilhões e uma alavancagem de 3,49 vezes a relação dívida líquida versus Ebitda. O objetivo é reduzir a dívida em R$ 18 a R$ 20 bilhões.
Uma das frentes para este caminho está no desinvestimento de ativos, para garantir mais caixa para a empresa. O processo de venda da CSN Cimentos é o mais adiantado. A empresa já recebeu propostas de interessados e a perspectiva é que o negócio seja finalizado até novembro. “A gente começou, há cerca de duas semanas, o processo bid, e agora eu acredito em mais uns 45 dias para discutir a formalização e a escolha da melhor proposta”, afirma o empresário.
Impacto no mercado e nas ações
As ações da CSN caíram 31,6% em 2026 e 20% em 12 meses, com valor de mercado de R$ 7,9 bilhões. A pressão sobre os papéis reflete a preocupação dos investidores com a alavancagem e a necessidade de geração de caixa. A venda de ativos é vista como um passo crucial para restaurar a confiança do mercado.
O que esperar da nova gestão
Schvartsman assume com um mandato claro: desalavancar a companhia e destravar valor. A venda da CSN Cimentos é apenas o primeiro passo de um plano mais amplo de desinvestimentos. A fonte não detalhou outros ativos que podem ser negociados, mas o foco em redução de dívida é explícito.
Steinbruch, por sua vez, continuará influente como presidente do conselho, cargo que já ocupou por quase três décadas. A governança da CSN, portanto, mantém a família Steinbruch no centro das decisões estratégicas, agora com um executivo de mercado na linha de frente o



