Avanço das importações pressiona mercado do aço e acende alerta na indústria

O mercado de aço, insumo central para a indústria de máquinas e equipamentos, segue pressionado por uma combinação de fatores com o avanço das importações, volatilidade de preços, estoques elevados e incertezas no cenário global. Esse foi o tema do webinar promovido pela Associação Brasileira de Máquinas, ABIMAQ,  no dia 30 de março, que reuniu especialistas para debater a conjuntura, preços e perspectivas do setor.

Na abertura, o superintendente de Mercado Interno da ABIMAQ, Marcos Perez, destacou o papel do aço e sua presença em segmentos como bombas, válvulas, máquinas agrícolas, linha amarela, mineração e siderurgia. Hoje, o setor de máquinas e equipamentos responde por 19,2% do consumo interno de aço no Brasil.

Ao analisar o panorama nacional, o consultor Homero Dornelles apontou estabilidade no consumo, estimado em 43,7 milhões de toneladas, mas com forte pressão das importações, que cresceram 170% entre 2019 e 2025, enquanto a produção nacional avançou apenas 2%.

Para Dornelles, o ambiente é de “permacrise”, exigindo estratégia, resiliência e inovação.

China no radar e preços sob pressão

A leitura internacional, apresentada pela S&P Global Platts, reforçou o peso do cenário externo sobre o mercado brasileiro. A China ampliou em 21% suas exportações de aço acabado em 2025, pressionando os preços no Brasil, que recuaram entre 14% e 15%.

Medidas de defesa comercial vêm sendo adotadas, mas o mercado segue sensível, com expectativa de reajustes moderados pelas usinas diante de estoques elevados e maior diversificação de fornecedores.

Na ponta da cadeia, Eduardo Breda, CEO da Bubuyog, marketplace parceiro da ABIMAQ, apontou demanda lateralizada e pressão por giro de estoques. Segundo ele, os reajustes anunciados pelas usinas têm encontrado resistência, reforçando o papel da informação em tempo real e da gestão local de estoques como diferenciais competitivos, especialmente em um ambiente de maior regionalização das cadeias produtivas e volatilidade global.

Como síntese, o encontro indicou um 2026 sem crescimento expressivo e maior complexidade. Entre os principais vetores estão a pressão das importações e o cenário geopolítico instável, com reflexos de conflitos internacionais, câmbio e juros.

Nesse contexto, passa a ser fundamental integrar inteligência de mercado, planejamento de compras e gestão de estoques para mitigar riscos e preservar competitividade.

A ABIMAQ seguirá apoiando os associados com relatórios mensais de monitoramento do mercado de aço e iniciativas voltadas à ampliação da transparência e eficiência na cadeia de abastecimento.

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