Com foco em todas as áreas da empresa, no Brasil e no exterior, o AI Center monitora 13 linhas de projetos que já renderam economia de R$ 74 milhões por ano
A Vale inaugurou em Vitória, nesta quinta-feira (10), um Centro de Inteligência Artificial (AI Center) para desenvolver e monitorar iniciativas nas unidades do Brasil e de outros países onde atua. Inteligência Artificial pode ser entendida como a habilidade das máquinas de simular o processo de tomada de decisão dos humanos e de executar tarefas complexas como nós fazemos. O centro está localizado no Porto de Tubarão e conta com cientistas, engenheiros de dados e especialistas de negócios.
O foco dos trabalhos está na otimização da manutenção de ativos – de caminhões fora de estrada a trilhos de ferrovia -, na melhoria da gestão dos processos de usinas de beneficiamento de minério e de pelotização e no aperfeiçoamento de controles ambientais, de saúde e segurança e de integridade corporativa.
Atualmente, as equipes da Vale trabalham em 13 linhas de projetos, que são executados em conjunto com as áreas de negócio da empresa (ferrosos, metais básicos e carvão), assim como iniciativas ligadas à saúde e segurança de empregados. Os projetos que já foram entregues geraram uma economia de mais de R$ 74 milhões por ano e há previsão de se obter mais R$ 136 milhões de benefícios com outras ações em andamento.
Apenas um destes projetos já permitiu uma economia de R$ 12 milhões anuais em uma das usinas de pelotização da Vale em Vitória. Dados gerados no processo de produção de pelotas – pequenos aglomerados de minério de ferro usados na indústria siderúrgica – foram analisados com técnicas de Inteligência Artificial e geraram diversos insights e recomendações para as condições ideais de operação das usinas, como o balanceamento mais eficiente entre o carvão e o gás natural – insumos utilizados no processo – e a redução do uso de energia elétrica.
“O AI Center favorece a integração e a colaboração intensas entre os responsáveis pelos diferentes projetos”, explica o gerente-executivo de Inovação em TI, Hélio Mosquim. “Com a criação do AI Center, os profissionais poderão trocar experiências e conhecimento, fundamentais para aumentar a sinergia entre as equipes e gerar resultados em escala global. Muito do que é criado para um projeto pode ser aplicado em outro”, explica.
“A Inteligência Artificial tem potencial de gerar valor para todas as áreas de negócio da Vale”, afirma o diretor de Transformação Digital, Afzal Jessa. “É mais um importante passo no programa de transformação digital que estamos implantando, que tem o objetivo de aumentar a produtividade e a eficiência operacional, alcançar os melhores índices de saúde e segurança, melhorar nossa performance financeira e impulsionar a inovação.”
Transformação digital
O programa de transformação digital da Vale, do qual a implantação do AI Center faz parte, se baseia em melhorar a performance de ativos, otimizar a manutenção, aumentar a eficiência da força de trabalho e integrar a cadeia de valor. Além de Inteligência Artificial, outras inovações tecnológicas desenvolvidas pela empresa estão nas áreas de Internet das Coisas, aplicativos móveis, robotização e equipamentos autônomos (como caminhões e perfuratrizes).
Com o programa de transformação digital, a expectativa é que a Vale obtenha ganhos em todas as áreas de negócio e, especificamente no minério de ferro, reduza o custo de produção em US$ 0,50/t até 2023.
Conheça outros exemplos de projetos sendo desenvolvidos com o AI Center:
Prevenção de fratura de trilhos – Um dos projetos de maior impacto está sendo desenvolvido na Estrada de Ferro Carajás (EFC) com o foco de prever fraturas nos trilhos – a ocorrência que acontece com maior frequência e que é considerada a mais grave para o funcionamento da operação. A partir dos dados gerados pelas ferrovias, foi encontrada uma solução que identifica se há uma ou mais fraturas em um determinado trecho. Além do aumento da segurança operacional, há o benefício do tempo em que a ferrovia deixa de ser paralisada em virtude de fraturas de trilhos.
Manutenção de rodeiros de trem – Um conjunto de sensores instalados ao lado da ferrovia – os waysides – monitoram desgastes e impacto dos rodeiros (conjunto de rodas e eixo dos trens), temperatura e ruído de rolamentos e deslocamentos de truque (uma peça importante do vagão). Cruzando os dados gerados por esses sensores com informações de outros sistemas, foram criados modelos matemáticos que permitem à equipe de manutenção uma visão do comportamento dos rodeiros para os 30 dias seguintes. Com base nessas informações, a equipe consegue planejar a compra e manutenção dos ativos de forma a estender sua vida útil. Em um ano o programa gerou economia de R$ 2,3 milhões – cerca de dez vezes o valor investido na sua execução.
Manutenção de ativos de mina – São coletados os dados gerados por equipamentos de mina – como caminhões fora de estrada, escavadeiras e carregadeiras – e são aplicadas as técnicas de Inteligência Artificial. Um dos projetos pioneiros foi na mina de Salobo, no Pará, onde a vida útil dos pneus de caminhões fora de estrada aumentou em cerca de 30% em um ano. Esses projetos já geraram R$ 28 milhões de economia.

Redução de consumo de combustível – Em parceria com as áreas operacionais da Vale e pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, os cientistas de dados da empresa desenvolveram um sistema para redução de combustíveis de caminhões fora de estrada. O projeto foi testado em Minas Gerais e apresentou potencial de redução de consumo de diesel no valor de R$ 1,5 milhão por ano.




