No site da Usiminas, as “Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. “, denominação cunhada ainda na pedra fundamental lançada pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek e pelo governador de Minas Gerais, Crispim Jaques Bias Fortes, pode observar um slogan que pode resumir o propósito da companhia: O Aço em dia com o futuro.
Reinventar-se, pode ser o termo que mais pode definir a atuação da siderúrgica desde o inicio de suas operações em 1962. A Usiminas, que chegou aos seus 64 anos ontem, 26 de outubro, teve boa parte dos seu desenvolvimento técnico durante o período da ditadura militar. Tornou-se a única empresa superavitária do sistema Siderbras, razão pela qual estava “pronta” para a privatização ocorrida em 1991, no governo Fernando Collor de Melo.
Se tornou um grupo empresarial com empresas de logística, distribuição de aço, siderúrgicas na Argentina e Venezuela nos anos 90 e seguiu produzindo recordes atrás de recordes de produção superando, muitas vezes, a capacidade instalada.
Viveu momentos turbulentos como o fim da era “Rinaldo Campos Soares” com a desruptiva tentativa de mudança de cultura realizada pelo ex-presidente Marco Antônio Castello Branco em seu fugaz mandato de 02 anos entre 2008 e 2009. A saída de 02 acionistas do bloco de controle(Camargo Correa e Votorantim) em 2011 para a entrada do grupo Ternium/Tecchint, o risco do pedido de recuperação judicial em março de 2016, o maior embate entre empresas S.As já travado no mundo entre os controladores Ternium/Techint e Nippon Steel entre 2015 e 2019. A volta por cima, capitaneada pelo ex-presidente Sérgio Leite de Andrade e o financista Ronald Zeckermann, a contenda com Benjamin Steinbruch da CSN no STJ e STF entre 2023 e 2024 e, por fim, a assunção definitiva no ano passado das ações do bloco de controle em 92, 9% pelo grupo Ternium/Tecchint no ano passado.
A história não tem como ser contada somente em um parágrafo. Teve, momentos de extrema angústia, como o fim das operações das áreas primárias do Centro Industrial de Cubatão em 2015 e 2016, paralisações de grandes equipamentos como os altos-fornos em 2008, 2015, 2020, 2021 e duas vezes em 2023 assim como as reativações em 2018, 2020, 2021 e 2023 . Explosão do gasômetro em 2018, Pandemia de Covid 19, enfim uma trajetória que demonstra a capacidade de seus colaboradores, parceiros e sociedade de manter, em solo ipatinguense, a permanência do maior centro industrial do grupo Ítalo-Argentino assim como os investimentos mais estratégicos.
De mãos dadas com a sociedade
A Usiminas, também, desempenhou papel ativo no desenvolvimento social e cultural da região. Por meio do Instituto Usiminas, quatro espaços foram disponibilizados, na cidade: o Centro Cultural Usiminas, o Teatro Zélia Olguin, o Centro de Memória Usiminas e a Estação Pedra Mole. São iniciativas culturais e sociais, beneficiando milhares de pessoas. Isso sem falar na saúde, com a decana Fundação São Francisco Xavier, mantenedora dos Hospitais Márcio cunha 01 e 02, Colégio São Franscisco Xavier e o Centro de Odontologia Integrada.
No passado, o lazer estava entre as suas prioridades. Os clubes de bairro, hoje autônomos como Morro do Pilar, Cariru Tênis Clube, Industrial, Olímpico foram construidos e mantidos pela estatal.
Compromisso com o futuro
Com mais de 92,9% das ações do bloco de controle, toda a sociedade discute o futuro da Usiminas. Da parte dos seus controladores, está muito claro: o binômio investimento-eficiência soará como um mantra diário com gestores e colaboradores. Recentemente, a companhia iniciou uma nova etapa de investimentos no Centro Industrial de Ipatinga, com a reconstrução da Bateria 4 da Coqueria 2. O projeto representa um investimento de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, previsto até 2029, quando a nova bateria deverá entrar em operação e contempla a reforma da Bateria 4 a ser equipada com tecnologias atualizadas.
Durante as obras, serão gerados cerca de 800 empregos. Com a conclusão da obra, a Usiminas pretende retomar a capacidade de produção de coque e de gás de coqueria, reduzindo a dependência da aquisição de coque de terceiros.
Mais que isso tem, em paralelo, reconstrução da Bateria 4, integrando um conjunto de investimentos em andamento no Centro Industrial de Ipatinga. Entre as iniciativas estão o reparo a quente da Bateria 3 da Coqueria 2, a própria reconstrução da Bateria 4, além de projetos como a nova planta de Moagem e Injeção de PCI e um novo Gasômetro.
Para o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, o investimento reforça a aposta da companhia e de sua acionista Ternium na indústria e no emprego industrial brasileiro. “Começamos agora a mobilização para construção de uma nova bateria de coque em Ipatinga, um investimento de R$ 1,7 bilhão para melhorar a nossa competitividade, que irá substituir uma operação que estava desativada. A Usiminas defende a força da indústria do Brasil e o Estado brasileiro sabe que precisa atuar contra a importação subsidiada para evitar o sucateamento da sua indústria. Queremos competição justa”, destaca.
Usiminas? Ternium-Usiminas? Ternium-Ipatinga?
Há uma discussão nas redes sociais e em grupos de whatsapp sobre “rebatizar” a siderúrgica, agora sob nova direção(pra valer). A Ternium, principal grupo controlador, tem um Centro Industrial no Rio de Janeiro denominado Ternium Brasil. Há seguir um movimento que o grupo Gerdau realizou ao adquirir a Açominas em 1997, optou manter o nome como Gerdau e o da Açominas(Gerdau-Açominas), aliando o futuro e o passado como algo indissociável para a identidade da empresa. Em algum momento, essa possibilidade pode se tornar realidade. Não fará diferença. O que deve ser mantido é o mesmo espírito que levou a siderúrgica a ser a maior do América Latina: A garra do time, a atitude das pessoas.
Ficam as palavras que poderão ser encontradas no site, também, que refletem o sentimento atual da empresa em relação ao seu propósito:



