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A “guerra” na mineração: Pequenas e médias mineradoras são fortemente afetadas pelo conflito EUA x Irã

Categoria: Mineração

A “guerra” na mineração: Pequenas e médias mineradoras são fortemente afetadas pelo conflito EUA x Irã

Estreito de Ormuz inseguro elevam preços da logística internacional

O conflito entre Estados Unidos e o Irã tem afetado severamente o tráfego no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Mas, não é somente essa comodittie que está sendo afetada. Indiretamente, Minério de Ferro também tem sido impactado. Os fretes marítimos vem encarecendo em até 500% (saltando de cerca de US$ 3,5 mil para até US$ 9 mil em rotas e contêineres afetados) e desestabilizando cadeias de suprimentos de fertilizantes, metais e insumos industriais.

Somente nesta semana, duas mineradoras anunciaram redução temporária da produção de minério de ferro. A CSN, especificamente a planta de beneficiamento a seco do Complexo de Pires, em Ouro Preto, no distrito de Miguel Burnier, onde produz minério de ferro de menor qualidade, paralisou suas atividades e a Mineradora J.Mendes, que possui uma planta entre os municípios de Desterro de Entre Rios e Piracema (a unidade responde por 10% do minério de ferro do grupo).

Segundo a CSN, a medida foi tomada diante de um cenário de mercado mais apertado e da pressão provocada pelo aumento dos custos de frete. A mineradora indica que isso pode ser revertido, caso as condições de comercialização voltem a proporcionar margens consideradas adequadas pela companhia.

Já a J. Mendes, anunciou que esta redução de atividades se deve a um cenário adverso, que combina alta de custos, sobretudo com a disparada do frete marítimo com a queda de preços da commodity. Alega, também, que a competitividade ficou comprometida devido às atuais condições de mercado, associadas às características específicas da unidade. 

Paralisação alcançou outras mineradoras

Essas decisões, nesta semana, não foram as únicas neste sentido. Ainda no início do mês e fim do mês passado, a Mineração Usiminas, Itaminas e Cabo Verde Mineração já haviam anunciado redução de atividades diante do que descrevem como “um cenário adverso, que combina alta de custos, sobretudo com a disparada do frete marítimo, e queda de preços da commodity”.

Demissões

O desligamento dos colaboradores da J.Mendes começou dia 6 de outubro um dia após a suspensão das atividades da unidade. Fontes indicam o desligamento de 49 funcionários (e transferências internas). A empresa não informou quantos funcionários possui em seus quadros e nem estimou o prazo para reativação da unidade. Já a CSN, não divulgou plano de demissões em massa relacionado a este corte. A medida é temporária e pode ser revertida se as condições de mercado melhorarem.

A Mineração Itaminas concedeu férias coletivas para cerca de 300 trabalhadores em Sarzedo devido essa paralisação parcial. Contudo, a Mineração Usiminas, fontes apontam cerca de 300 demissões em decorrência da paralisação da planta (que representa 35% da produção mineral da Musa), embora a Usiminas não tenha confirmado oficialmente o número exato de desligamentos.

Futuro

O futuro do frete marítimo global para os próximos meses sob o cenário de prolongamento da guerra entre os Estados Unidos e o Irã aponta para a consolidação de tarifas recordes, volatilidade estrutural e severos gargalos logísticos. Inclui-se, ainda, seguros com valores “proibitivos” com sobretaxas que chegam a 60% ou recusas por parte das seguradoras.

Mesmo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarando, nesta semana, que a guerra contra o Irã terminará “muito em breve”, este otimismo demonstrado pela Casa Branca não contaminou os analistas, uma vez que o cenário geopolítico aponta para um panorama de incertezas e desgastes.

 

 

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