Pular para o conteúdo
Publicidade
Publicidade

Empresas devem se preparar para as novas regras sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho

Categoria: Notícia

Empresas devem se preparar para as novas regras sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho

Com a nova fase da Norma Regulamentadora (NR-1), especialistas em direito trabalhista defendem mecanismos e medidas preventivas nas empresas para minimizar possíveis processos relacionados à saúde mental dos colaboradores.

A retomada do debate sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho deve acender um alerta para que empresas mudem a postura com relação à saúde mental dos funcionários. A orientação é que as organizações criem mecanismos de prevenção para evitar futuros processos trabalhistas. 

O tema foi colocado em discussão no ano passado porque a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais (GRO). Com o adiamento da entrada em vigor das novas exigências, o debate perdeu força por algum tempo. Agora, com a perspectiva de efetiva aplicação dessas regras, volta a crescer a preocupação das empresas com a necessidade de adaptação.

Com a atualização e a falta de critérios objetivos para a caracterização desses riscos psicossociais, especialistas apontam um cenário de maior insegurança jurídica, com a possibilidade de aumento do número de ações trabalhistas. Pensando nisso, a integração desses novos fatores psicossociais ao inventário de riscos da empresa deve ser acompanhada de um plano de ações concreto e bem estruturado, com medidas efetivas de prevenção de riscos.  

Empresas devem se preparar para as novas regras sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho
André Franzin, mestre em Direito pela PUC-SP e sócio do Franzin Advogados

Para André Franzin, mestre em Direito pela PUC-SP e sócio do Franzin Advogados, a nova norma não deve ser vista apenas como um ônus, mas como uma oportunidade de mitigação dos riscos da empresa.

“É preciso compreender que fatores de risco psicossociais já afetam o dia a dia das empresas. Há um número cada vez maior de reclamações trabalhistas baseadas em alegações de danos de ordem psicológica. Assim, se por um lado a nova regulamentação traz dúvidas e gera insegurança, especialmente porque os fatores de risco psicossociais não estão relacionados de forma exaustiva, ela também traz consigo a oportunidade de criar mecanismos de controle e prevenção que evitem autuações e minimizem os riscos de futuras indenizações.”, diz.

O que são riscos psicossociais

Os riscos psicossociais envolvem fatores como: estresse ocupacional, sobrecarga de trabalho, assédio moral, pressão por metas e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional. Embora essas situações sempre tenham feito parte do ambiente corporativo, o tema ganhou relevância nos últimos anos com o aumento dos casos de doenças mentais relacionadas ao trabalho, como o burnout, ansiedade e até depressão. 

De acordo com Mariana Jensen, coordenadora da área trabalhista do Franzin Advogados, a tendência é que, agora,  o Judiciário passe a olhar com mais atenção para essas questões, principalmente diante de decisões recentes que já reconhecem determinadas atividades como de risco psicossocial.

“O que estamos vendo é uma mudança de entendimento por parte, tanto dos funcionários, como da própria justiça. Situações que antes eram tratadas como subjetivas passam a ser analisadas sob a ótica da responsabilidade do empregador. A NR-1 agora exige que todas as empresas adotem medidas para identificar, avaliar e controlar riscos para a saúde mental de seus profissionais, o que demanda uma postura mais estruturada do empregador na prevenção e gestão de eventuais processos. E quando falamos em prevenção, não é simplesmente a adoção de medidas como a contratação de psicólogos e terapeutas no ambiente de trabalho, mas sim, de um cuidado verdadeiro com cada funcionário, com o registro das ações e implementação de Programas Preventivos efetivos. Tais medidas visam, por exemplo, reduzir afastamentos e absenteísmo, melhorar o clima organizacional, fortalecer a comunicação interpessoal, reduzir conflitos, ampliar recursos de apoio à equipe, aumento da produtividade e, principalmente, manter empregados saudáveis e motivados.

A fiscalização irá averiguar indicadores e medidas preventivas ativas, o que mais uma vez demonstra a necessidade de mapeamento pelas empresas dos riscos de problemas psicossociais, o planejamento estratégico, a elaboração de um cronograma de ações com equipe e suporte técnico, além da capacitação de seus gestores para medidas preventivas e contenção.

Entender e praticar a NR-1 significa, não apenas proporcionar um ambiente de trabalho saudável mentalmente, mas evita multas administrativas, processos trabalhistas e ações civis públicas, que podem levar a condenações por danos morais, além de custos com afastamentos médicos e perda de produtividade.

Além do impacto jurídico, especialistas apontam que o tema também está diretamente ligado à agenda ESG (no âmbito da governança) e à valorização da saúde mental no ambiente corporativo, que é um fator cada vez mais importante para a reputação das empresas e até mesmo para a contratação de pessoas especializadas, que muitas vezes priorizam ambientes em que a saúde mental é valorizada.

Empresas devem se preparar para as novas regras sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho
Bruno José, gerente de Segurança do Trabalho do grupo MedNet

Segundo Bruno José, gerente de Segurança do Trabalho do grupo MedNet, o caminho mais eficaz é a prevenção no dia a dia das organizações. “Não se trata apenas de evitar processos trabalhistas, mas sim de promover um ambiente de trabalho psiquicamente seguro. Para isso não se deve render a tendência do mercado com a aplicação apenas de um simples questionário, é necessário fazer a gestão dos riscos com outros itens normativos que já estão vigentes desde 2022 e que o empregador muitas vezes só toma ciência durante fiscalizações ou processos trabalhistas.”, afirma.

Considerando esse cenário, o Franzin Advogados, em parceria com a MedNet, promoverá, no mês de abril, um evento em seu escritório para discutir os impactos jurídicos e as estratégias práticas relacionadas aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A iniciativa retoma um debate que já havia mobilizado empresas parceiras em um outro evento que aconteceu no ano passado e reforça a necessidade de preparação diante das mudanças regulatórias e do novo posicionamento da Justiça do Trabalho.

Sobre o Franzin Advogados 

Fundado em 1987, o escritório Franzin Advogados começou com ênfase principal na área tributária, sobretudo por influência das experiências anteriores de seu fundador, José Antônio Franzin, que atuou por muitos anos com contabilidade. 

Hoje o escritório segue oferecendo serviços na área tributária, mas com uma significativa expansão de seus trabalhos no direito empresarial e do trabalho. 

Caminhando para as comemorações dos 40 anos de fundação, o escritório de advocacia passa por transições e melhorias internas com o objetivo de manter a qualidade, a presteza e a transparência que já são marcas registradas, mas também modernizando e ampliando o atendimento de seus clientes. 

Legitimado por sua história de trabalho responsável, competente e criativo, conquistou o reconhecimento do público e dos profissionais da área jurídica, tornando-se um dos maiores escritórios de Americana e região.

Hoje, o Franzin Advogados conta com um corpo jurídico de mais de 15 advogados e seu nome é símbolo de trabalho honesto e bons resultados.

Leia também em Notícia

Ver tudo