Venda de ativos ocorre em meio À pressão por redução da dívida e reacende alertas econômicos, operacionais e sociais.
A sinalização feita no início de janeiro pelo presidente do Grupo CSN, Benjamin Steinbruch, de que a companhia pode colocar ativos à venda para reduzir o endividamento reacendeu no mercado a hipótese de alienação parcial ou total do negócio de siderurgia da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
A discussão, tratada até aqui sob a ótica financeira, traz uma série de riscos concretos tanto para a estrutura do grupo quanto para a economia de Volta Redonda, município historicamente ligado à operação do aço. O assunto voltou a tomar conta do noticiário após uma reportagem do jornal Valor Econômico publicada na última segunda-feira (26).
Coreanos e Chineses
A companhia conversa com gigantes nacionais do setor e players coreanos e chineses para avaliar o interesse na compra de uma fatia ou da totalidade do seu braço siderúrgico, revelam fontes do setor. A busca pelos concorrentes foi feita de maneira informal e visa a desalavancagem do grupo.
A holding de Benjamin Steinbruch possui um plano de revisão estratégica de ativos para diminuir o endividamento e equacionar o capital do grupo. Em fato relevante divulgado neste mês, a companhia anunciou a intenção de vender ativos para arrecadar entre R$ 15 a R$ 18 bilhões neste ano.
CVM
A divulgação da reportagem sobre vendas de ativos e até da totalidade do negócio de siderurgia no “Valor” gerou questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários, CVM. A CSN respondeu que segue em avaliação a venda de participação relevante em infraestrutura, a possível alienação do controle da CSN Cimentos e alternativas estratégicas na siderurgia para maximizar a geração de caixa. A companhia, também, negou haver negociações avançadas ou compradores definidos e disse que qualquer menção a percentuais específicos de venda é especulativa. A empresa também destacou que ainda não contratou assessor financeiro para a frente de siderurgia.
Volta Redonda
a venda da siderurgica não é apenas uma decisão de portfólio, mas um movimento com impactos diretos sobre emprego, arrecadação, logística, cadeia produtiva e estabilidade econômica regional. A CSN é a principal empregadora industrial de Volta Redonda e sustenta uma extensa cadeia de fornecedores, prestadores de serviço e comércio local. A venda ou eventual redução de operações pode resultar em cortes de postos de trabalho e retração econômica.



