Dia do Médico é celebrado no Brasil em 18 de outubro, data dedicada a homenagear os profissionais responsáveis pelo cuidado com a saúde e pelo acompanhamento de pacientes em diferentes fases da vida. A ocasião é uma oportunidade para agradecer a médicos e médicas pela dedicação à profissão, pelo conhecimento aplicado no atendimento e pela atenção oferecida a quem precisa de cuidados.
O Brasil conta atualmente com mais de 635 mil médicos (cerca de 2,98 profissionais por mil habitantes), com projeção de ultrapassar 1,15 milhão até 2035. Embora a medicina siga entre as profissões de maior renda média no país, houve uma queda real no poder de compra ao longo da última década devido ao aumento da concorrência por plantões e consultas.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aponta que, em 2023, mais de 685 mil candidatos concorreram a cerca de 13 mil vagas em cursos de Medicina nas instituições públicas. Segundo o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, elaborado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira, o país conta com quase 600 mil médicos registrados.
Além da graduação, a especialização é fundamental: o levantamento indica que, em 2024, cerca de 47,7 mil médicos estavam em programas de residência médica. Ao longo da trajetória, os profissionais precisam investir em educação continuada, participar de congressos, adquirir equipamentos, abrir consultórios e planejar financeiramente a carreira.
Freio de arrumação
O Ministério da Educação (MEC) cancelou em fevereiro um edital que previa a abertura de quase 6 mil vagas em cursos de medicina em universidades privadas. A chamada selecionaria propostas para criar novas graduações ou ampliar o número de matrículas em faculdades já existentes no âmbito do Programa Mais Médicos, lançado em 2013 para reduzir a escassez de profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS). O programa permite ao governo definir locais para a criação de novos cursos onde existe carência de médicos – em geral, longe dos grandes centros urbanos –, desde que haja uma infraestrutura de serviços de saúde capaz de propiciar uma formação prática de qualidade para os estudantes.
O cancelamento do edital foi uma espécie de freio de arrumação depois do alarme causado pela divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), prova anual criada pelo ministério para examinar a qualidade da formação oferecida pelos cursos – o teste foi aplicado pela primeira vez a alunos de medicina de último ano para verificar o conhecimento adquirido.
A péssima repercussão dos resultados do Enamed reacendeu o debate sobre a qualidade da formação dos médicos no Brasil. O Senado reagiu aprovando um projeto de lei, ainda a ser avaliado na Câmara, instituindo um exame de proficiência para os recém-formados como requisito para a obtenção do registro profissional de médico, a exemplo do que acontece com os advogados. Se virar lei, o projeto, que é apoiado por entidades como o CFM e a Associação Médica Brasileira, bloqueará o acesso ao mercado de trabalho de estudantes que investiram seis anos em sua formação e poderá pôr em xeque o esforço, bem-sucedido em termos quantitativos, de ampliar a oferta de médicos no Brasil. Há hoje 650 mil profissionais em atividade no país e a razão de médicos por mil habitantes cresceu de 1,18 no ano 2000 para 2,98 em 2025. A taxa brasileira está abaixo da média dos países industrializados vinculados à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 3,7 médicos por mil habitantes, mas já supera a de nações como Canadá (2,75), Estados Unidos (2,72), Japão (2,65) e China (2,52).



