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Reforma Tributária: 1 em cada 5 grandes empresas repensa localização de CDs

Categoria: Logística

Reforma Tributária: 1 em cada 5 grandes empresas repensa localização de CDs

Uma em cada cinco das maiores empresas do Brasil já planeja mudar a localização dos centros de distribuição entre estados em função da Reforma Tributária, segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) referente ao primeiro semestre de 2026, com mais de 100 das maiores empresas brasileiras em faturamento e aponta o início de uma reorganização da geografia logística do país.

O levantamento identificou uma pretensão clara de aumento de operações logísticas no estado de São Paulo, onde há o maior mercado consumidor do país. A mudança decorre do fim gradual da lógica que sustentou boa parte das decisões de localização no país.

“Com a substituição do ICMS pelo IBS, cobrado no destino, o benefício fiscal estadual perde força como critério de escolha. A decisão de onde instalar um centro de distribuição passa a ser avaliada com maior peso para aumento da eficiência da malha, redução de custo logístico e proximidade do mercado consumidor”, explicou o sócio executivo do ILOS, Rodrigo Tourinho Nakamura.

A pesquisa também mediu como as empresas avaliam o alcance da Reforma Tributária sobre o Supply Chain e o potencial de otimização da operação logística.  Em relação à percepção, há um ligeiro otimismo por parte das empresas, com 45% dizendo que a reforma terá impacto positivo ou muito positivo no Supply Chain, embora 38% acreditem que esta será negativa. Por outro lado, a maior parte das empresas (65%) considera que a Reforma deixará a sua operação logística mais otimizada.

MOVIMENTO PROMETE SER GRADUAL

A realocação dos centros de distribuição das empresas tende a ocorrer de forma gradual, ao longo dos próximos anos. O calendário da reforma, porém, já está em curso: 2026 é o ano de teste do novo sistema, 2027 marca a extinção do PIS/Cofins e a entrada integral da CBS, a transição do ICMS e do ISS ocorre entre 2029 e 2032, e o modelo entra em vigor pleno em 2033.

Apesar do horizonte definido, o nível de preparação das empresas em relação à Reforma Tributária ainda é baixo. Apenas 13% das empresas consultadas se consideram totalmente preparadas para as mudanças previstas até 2033. Para o ILOS, o dado aponta uma lacuna relevante de maturidade no planejamento das adaptações necessárias em redes logísticas, localização de centros de distribuição, compras, estoques, transportes, armazenagem e importações.

“Antes da Reforma Tributária, a arquitetura fiscal e os incentivos estaduais tinham grande influência na localização dos armazéns das empresas. Agora, com as mudanças na tributação, a prioridade será a redução de custos logísticos e a proximidade do consumidor”, afirmou Nakamura.

CUSTOS SOB PRESSÃO?

Algumas empresas veem a reforma como oportunidade para redução de custos, enquanto outras estão mais pessimistas. Mas em todos os seis componentes avaliados, a parcela de empresas que projeta alta de custos supera a que projeta redução. Em transportes, 37% esperam aumento e 30%, redução, a menor diferença entre os itens. Em mão de obra de armazenagem, 36% preveem aumento e 8%, redução. Chama atenção ainda o volume de empresas que ainda nem sequer avaliou os impactos: 31% no caso da importação e 24% em compra de insumos.

É essa combinação, custo pressionado e rede logística ainda desenhada sob a lógica fiscal antiga, que torna as decisões de localização dos próximos anos determinantes para a competitividade das empresas.

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