Rede de restaurantes atribui crise à pandemia, ao delivery e à alta da Selic; grupo tem 60 dias para apresentar plano de reestruturação
O Habib’s entrou em recuperação judicial na segunda-feira (24). No pedido feito à Justiça de São Paulo, o grupo econômico declarou dívida de R$ 265,2 milhões. A decisão favorável, proferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, nomeou a consultora KPMG como administradora judicial.
Procurado pela reportagem, o Grupo Habib’s afirmou, por meio da assessoria, que o objetivo da recuperação é preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo.
“As operações do grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades. Presente na vida dos brasileiros há quase 40 anos, a companhia segue comprometida com a força de suas marcas, a evolução de seu negócio e a continuidade de uma história construída ao lado de milhões de brasileiros”, diz a nota.
Segundo os argumentos apresentados pela empresa no processo, a crise se deve à pandemia de Covid-19, ao crescimento das plataformas de delivery, que atrapalhou os resultados das lojas físicas, e à alta da taxa de juros nos últimos anos.
O juiz determinou a suspensão de todas as ações de execução de dívidas contra a empresa e ordenou que credores não suspendam ou interrompam contratos em razão do pedido de recuperação judicial.
No entanto, negou a liberação de recebíveis bancários cedidos em garantia fiduciária -aquela em que o devedor cede ao credor o direito temporário sobre algum crédito ou ativo financeiro. Agora, o conglomerado tem 60 dias para apresentar o plano de reestruturação, sob pena de entrar em processo de falência.
Ao todo, 178 pessoas jurídicas do grupo Gennius estão no pedido de recuperação. Além delas, constam dois sócios do grupo, Alberto Saraiva e Belchior Saraiva. Segundo o Habib’s, a atividade rural exercida por eles tem relação direta com a cadeia produtiva do grupo.



