Irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo J & F, presentes no setor de alimentos, papel e celulose e agora, na siderurgia.
A famosa frase “morreu atirando para cima” pode ser atribuída ao desinvestimento realizado no início da semana pelo grupo empresarial, CSN, do empresário Benjamin Steinbruch. A obrigação de vender as ações que detinham da Usiminas foi estabelecida pela justiça e o prazo final expirava no último dia 6.
A venda para a Globe Investimentos vem a retirar uma longa pressão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Desde 2014, o órgão exigia que a CSN reduzisse sua participação na Usiminas para abaixo de 5%, argumentando conflito de concorrência. Até então, a CSN resistia, se mantendo como uma das principais acionistas da rival.
A Justiça federal apertou o cerco recentemente. O Tribunal Regional Federal da 6ª Região estipulou um prazo de dois meses para que a CSN apresentasse um plano de desinvestimento e a venda à Globe seria o primeiro passo nesse sentido: com ela, a fatia da CSN na Usiminas caiu de 12,91% para 7,92%, ainda acima do limite imposto, mas mais próxima da meta.
Globe investimentos
Se com Benjamin Steinbruch como sócio, pode se dizer que Ternium, principal acionista do bloco de controle da Usiminas, vivia um “dormindo com o inimigo”, ter os polêmicos irmãos Joesley e Wesley Batista não parece que se sinaliza com dias de céu de brigadeiro. Apesar da Globe não estar oficialmente sob a holding J&F, ela é presidida por Aguinaldo Gomes Ramos Filho, sobrinho da dupla de empresários, reforçando os laços familiares no negócio.
Joesley e Wesley Batista são conhecidos pela agressividade nos negócios e segmentos que atuam, tendo episódios de corrupção e tráfego de influência como credenciais empresariais para o crescimento de participação nos mercados que atuam. Em 2017, os irmãos Joesley e Wesley Batista foram presos pela Polícia Federal, a pedido da Procuradoria Geral da República que suspendeu acordos de delação premiada, devido outro delator do grupo, o executivo Ricardo Saud, por suspeita de omissão de informações nos depoimentos. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, STJ, à época, permitiu que Wesley Batista fosse solto, enquanto Joesley continuou preso por mais tempo, devido a um mandado de prisão preventiva. A decisão do STJ substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, reconhecendo que Wesley colaborou com a investigação e não representava risco à ordem pública.
A transação, realizada na quarta-feira, 30, movimentou 263,3 milhões de reais, com base no valor de fechamento da Bolsa no dia anterior. O pacote envolveu mais de 62 milhões de ações, 35,1 milhões ordinárias e 27,3 milhões preferenciais, da Usiminas, vendidas pela CSN. Com esse histórico dos Batistas a CSN pode ter aberto as portas para que, o que pode representar no futuro, mais contendas e disputas judiciais na vida da Usiminas.



