14 de Julho, segunda-feira, morreu o ex-presidente da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, na região Metropolitana de Belo Horizonte. Com quase cinco décadas de atuação na Usiminas, Leite ocupava, por último, o cargo de vice-presidente de Assuntos Estratégicos da companhia. Aos 71 anos, ele também estava presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e integrava o Conselho Estratégico da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Fiemg.
Passado 01 mês de sua morte, não se observa manifestações, homenagens e outras menções à Leite tanto pela siderúrgica quanto as entidades às quais esteve à frente, defendendo tanto a importância da competitividade do aço brasileiro, quanto a qualidade dos profissionais envolvidos em sua complexa produção. Bandeiras que, por décadas, Sérgio empunhou atuando no Instituto Aço Brasil, Associação Brasileira de Metalurgia – ABM, Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste enfim, uma carreira que se colocava na defesa de temas como proteção do mercado brasileiro do aço; desenvolvimento da metalurgia nacional, da educação superior e do desenvolvimento regional, dentre outros. Sérgio, sobretudo, estabelecia diálogos diretos com o empresariado, ações de responsabilidade social e possuia total comprometimento afetivo com a comunidade do Vale do Aço.
Não se trata de um dos presidentes da siderúrgica mineira mas, talvez, o mais importante da história recente. Sérgio ingressou na Usiminas em 1976 como jovem pesquisador e engenheiro. Desde então, acumulou 15 posições executivas até ser nomeado presidente da empresa em 2016, cargo que ocupou até 2022.
Nesse período, esteve à frente da companhia durante a fase mais aguda quando, a Usiminas estava prestes a entrar em recuperação judicial, por volta de março de 2016. Naquela oportunidade articulou o aporte de 1 bilhão de reais, estabeleceu uma bem sucedida negociação com bancos brasileiros e estrangeiros para o alongamento da dívida da empresa e também esteve no epicentro de episódios importantes, como a explosão do gasômetro em Ipatinga, em 2018, que causou forte impacto na região do Vale do Aço e repercutiu nacionalmente.
A frase “macaco cego surdo e mudo” refere-se à famosa representação dos Três Macacos Sábios, também conhecida como a lenda de “Mizaru, Kikazaru e Iwazaru” que pode representar bem a estranha atmosfera que se abateu após o falecimento do executivo. Essa lenda oriental, com origem na China e popularizada no Japão, simboliza o provérbio “Não veja o mal, não ouça o mal, não fale o mal”. O silêncio que se abateu e permanece após um mês da sua morte, oportunidade em que seus feitos e legado deveriam ser alardeados.



